quinta-feira, 9 de agosto de 2007

O difícil término dos relacionamentos, por Ana Claudia Ferreira de Oliveira


Quando somos apanhados pelo pedido de separação ou de término do outro, fazemo-nos as fatídicas perguntas: Porquê comigo? O que fiz eu de errado? E essas perguntas soam, muitas vezes, como verdadeiras bombas caindo sobre as nossas cabeças. Já estamos fragilizados emocionalmente, e ainda temos de arcar com as consequências da separação.
Estávamos acostumados a ter aquela pessoa para dividir os nossos assuntos, as nossas alegrias e as nossas tristezas, e de repente, essa tristeza, especificamente, não podemos dividir mais com ela, porque a outra pessoa é parte e “causa” dessa tristeza. Coloco a palavra “causa”entre aspas, porque não acredito que um outro possa ser causador directo de nenhum mal a alguém, em se tratando de sentimentos e emoções. Ninguém deixa de gostar de uma pessoa porque quer, nem decide isso do dia para a noite. O “desgostar”de alguém leva um tempo para acontecer. E normalmente temos dificuldade em encarar a nossa responsabilidade quando o outro deixa de nos amar. Só ele é que é o vilão porque não nos ama mais.
O facto é que, se o relacionamento acabou, é melhor para nós se conseguirmos encarar essa realidade o quanto antes, para que possamos colocar um ponto final nessa etapa de nossa história e partir para outra. Só que isso também não é tão simples. Primeiro, porque nós também vamos agora ter que ter um tempo para desgostar do outro. Por mais que o nosso racional nos mostre que não há a menor hipótese do relacionamento continuar a existir, o nosso emocional precisa de tempo para elaborar o luto pela perda do ente amado.
E esse processo não é nada fácil. Várias pessoas passam anos a sofrer pelo término de uma relação que acabou, já, há muito tempo. Mesmo que às vezes se apaixonem por outra pessoa, aquele relacionamento fica como uma marca na vida dela, e impede-a, muitas vezes, de seguir em frente ou de viver plenamente um relacionamento com uma nova pessoa.
Esquecer um relacionamento que já acabou envolve várias questões, e aqui vou citar algumas delas que me vêm à lembrança agora.
Primeiramente, existe a questão do quanto idealizamos o outro, colocando nele várias qualidades, que muitas vezes ele não tem, mas, por imaginarmos que tem, fica difícil de abandonarmos o sonho da pessoa perfeita para nós.
Outra questão é a do quanto investimos naquela relação, naquele sonho de amor, e mesmo sabendo que ela não existe mais, não queremos abrir mão depois de tanto investimento. Podemos comparar essa situação com alguém que aplica o seu dinheiro na bolsa de valores, sofre uma perda, e mesmo sabendo que já perdeu o seu dinheiro, tenta manter a mesma posição, à espera que a bolsa volte a subir e que ele recupere o valor investido.
Ainda há também a questão do quanto é difícil, e aqui falo principalmente dos homens, colocar um ponto final no relacionamento. Os homens têm mais dificuldade nesse aspecto, pensam que vão magoar a mulher e temem não conseguir lidar com a decepção que vão causar nelas. Nesses casos, tendem a enrolar, dizem que talvez não seja o momento, ou que estão confusos (e às vezes estão mesmo!). O facto é que não conseguem dizer aquele NÃO enorme que muitas vezes é necessário para um término de um relacionamento.
E, por último, há aquela questão de que “a mulher não ama, a mulher cisma”. É claro que a mulher ama sim, e muito, mas há muitas mulheres que enquanto acham que estão a amar, na verdade, estão é numa cisma danada com aquela pessoa. Sofrem, choram, passam anos a relembrar situações que muitas vezes nem aconteceram daquela forma, mas que com a nossa capacidade imaginativa, fazem maravilhas, transformando o passado em flores. Nesses casos não há amor, há cisma. Precisamos ter primeiro, o amor verdadeiro por nós mesmas, para depois sabermos amar o outro. Alguém que não está mais a ser amada, e insiste ainda no sonho fracassado, mostra que não está a amar-se; se não se ama, provavelmente não sabe o que é o amor, e não pode amar um outro.

4 comentários:

Cláudia disse...

Amor, amor... alguém sabe o que isto significa realmente?

**

Anónimo disse...

Gostei bastante de ler este teu post, e que aqui até sabe a pouco porque é tão simples e ao mesmo tempo tão complicado falar "dele" - o amor.

Star disse...

Pois o amor... O amor na minha opinião é algo mais que gostar, é algo mais intenso... Às vezes dói...
Há quem diga que só se ama uma vez na vida... Eu discordo! Axo que podemos, MAIS!!, devemos amar mais que uma vez na vida...
O amor sim é simples, a vida e as pessoas é que o tornam complicado.
As dúvidas que existem não dizem respeito ao que sentimos realmente mas sim em como fazer com que esse sentimento seja aceite e concretizado...

Unknown disse...

Parabéns! Seu post é excelente!